Navegar no Sistema de Universidade nos Estados Unidos Parte 1

Em Salvador eu me encontrei cercada por brilhantes negros graduados.  Eu constantemente dizia as pessoas, “ Você deve ir fazer seu PhD” ou “ Você deveria vir e ensinar-nos sua cultura”. Muitos gostavam da ideia de vir para os EUA e ensinar cultura afro-brasileira, mas não sabiam como. Eu ingenuamente pensei que este era um processo fácil e decidi criar um tipo de guia para orientar o processo de submissão para programas de pós-graduação nos EUA. Eu entrevistei uma jornalista que está atualmente em um programa de PhD na Universidade do Texas, Austin, o testemunho dela é a parte 1 dessa série.  A parte dois caracteriza a universidade que cursei, a Universidade de Maryland, distrito de Baltimore.


12278929_10153152112416791_2242544609781590810_nDaniela Gomes
 é um jornalista e ativista de São Paulo, Brasil. 

O que você está estudando?

Eu sou candidata no programa de estudos Africanos e Afro-diásporos na Universidade do Texas em Austin.

Quanto tempo demora o processo de candidatura para programas de pós-graduação nos Estados Unidos?

A candidatura geralmente leva seis meses, começa em agosto ou setembro e vai até dezembro ou janeiro. Depende do projeto e do programa. Eu já tinha contato com alguns professores antes de me candidatar. Me candidatei a três universidades e fui aceita pela Universidade do Texas. Este é o link do programa caso você esteja interessado.

O que você espera realizar com a sua formação?

Meu programa está realmente focado na vida acadêmica, preparando-nos para ser professores universitários, então eu provavelmente me candidatarei a um emprego na área. Mas estou deixando nas mãos de Deus.

Como você foi recebida nos Estados Unidos como uma negra brasileira?

Esta não foi a minha primeira vez nos Estados Unidos. Eu vivi em Atlanta GA antes, por um breve período. Entretanto a experiência de viver em uma cidade de maioria branca como Austin-Texas foi realmente um desafio, na maioria das vezes difícil. Austin é a única cidade nos estados unidos que enquanto cresce a população negra diminui, e falando sobre jovens adultos negros nos programas de pós-graduação, o número é realmente pequeno. Então a maioria do tempo você se sente isolado. Mas esta é uma boa cidade para estudar. Sobre ser uma negra brasileira, eu posso dizer que você sofre racismo dos brancos que vê você simplesmente como uma negra, mas você também enfrenta preconceito de alguns negros americanos, que pensam que você não é negro suficiente por não ser americano ou trata você com preconceito por causa dos estereótipos, especialmente quando você é uma mulher afro-brasileira. Eu escrevi algo no meu blog sobre isso.

Qual foi o primeiro passo para se candidatar a um programa de pós-graduação.

Em meu caso o primeiro passo foi se aproximar dos professores que eu contatei antes, para ver se eles estariam interessados em me ajudar. Depois você precisa fazer o Toelf e o GRE, depois disso você precisa seguir os passos que estão no site. Cada programa tem seu próprio processo, mas geralmente eles pedem três cartas de referência, uma carta de apresentação e traduções juramentadas do seu currículo de graduação e escola.

Quanto tempo dura todo o processo?

Eu respondi isso acima, geralmente o segundo semestre inteiro. Mas isso depende das datas dos testes e quanto tempo leva para pegar todo os documentos. Também é bem caro. Geralmente o programa cobra em torno de 100(cem) dólares por candidatura que não é reembolsável, mais 200(duzentos) dólares ou mais por teste, mais o dinheiro para fazer as traduções.

Se você pudesse se candidatar para programas nos Estados Unidos novamente, o que você faria diferente?

Eu amo meu programa, e este certamente seria minha escolha novamente. Mas eu preferiria me candidatar para o mestrado nos Estados Unidos, por que especificamente no caso do meu programa, que é muito intenso, três anos, eu teria mais tempo para me familiarizar com a academia americana e também para me adaptar a minha nova vida. Ir para lá com um mestrado feito no Brasil, sem saber nada do sistema de graduações nos Estados Unidos, foi realmente traumático e me causou alguns problemas como estudante.

Algum conselho para negros brasileiros que procuram se candidatar a programas de pós-graduação nos Estados Unidos?

Primeiro de tudo tenha certeza se é isso que você realmente quer. Conseguir um mestrado nos Estados Unidos é muito mais fácil que no Brasil, mas conseguir um PhD, não tem nem comparação com o Brasil. Você não tem vida e deve se dedicar integralmente ao programa. Segundo, planeje a sua vida para quando você terminar, o que você vai fazer com a sua graduação quando você chegar no Brasil? É possível validar o diploma? Como você vai encontrar um emprego? Terceiro, se prepare para gastar dinheiro, dinheiro durante o processo de candidatura( 800 dólares e no total deve ser cerca de 3.000 reais) e no caso que você seja aceito você também precisa de dinheiro, para provar que você pode se sustentar( mesmo que você tenha uma bolsa, a universidade pede mais do que isso no banco) principalmente nos seus primeiros meses lá, com o processo de mudança, o que pode realmente sair caro, por que você está chegando em uma nova cidade, sem casa, mobília e etc.

Obrigado pela entrevista informativa Daniela, desejando-lhe muito sucesso com a sua educação nos Estados Unidos.

Abdu Ali fala sobre Visibilidade

Ontem, o artista/rapper/embaixado de Baltimore, Abdu Ali deu uma palestra no sujeito de “Visibilidade” na galera bb. Abdu não ficou preocupado com os sentimentos de ninguém quando ele estava falando a verdade sobre o estado de arte na cidade de Baltimore e as maneras no qual a gente pode trabalhar juntos para cambiar-lo. Ficando no espaço intimo na galera cômoda, Abdu ficou sentando, falando o saber como uma titia sábia.Os seguientes são ums dos puntos que me deixou pensando:

• Formar uma colectiva

Temos poder em números. Pode achar as raízes do crescimento novo da escena de arte em Baltimore nums grupos ou numas colectivas. Abdu falou claramente da diferença entre uma colectiva e um “club de meninos legais.” Uma colectiva só forma quando os individuos trocem os talentos até a mesa e façam uma coisa nova. Ele não estava falando de formar um clique. A gente não esta no colegio. Mas uma colectiva tem o poder de crear conexões em todas demograficas, assegurar que diversas vozes são ouvidas, e também que o trabalho está espalado entre a gente equalmente. Não podemos fazer tudo sozinha, mas a gente pode fazer a nossa propria parte.

• Não esperar pras pessoas brancas

É facil mesmo pra entender, mas dá pra repetir. Eles não vão te dar o dinheiro para atuar a sua exposição? Use o internet pra juntar dinheiro e atue-lo por você mesmo. Eles não vão te dar um emprego? Començe seu própio negócio. Já sabemos que eles ganharam os recursos injustamente. Então, aqui vemos a importância da criatividade. Como disse o Malcolm X, precisamos seguir as nossas esforças “por qualquer meio necessário.”

• Investir em todas as idades

A cidade de Baltimore é uma merda. Do sistema de escola pública até os centros de recreação a nossa Baltimore não é uma cidade amigável pros jovems. Mas isso significa se você abrir sua cena aos menores de 21 anos, você tem um público cativo. Também, as crianças são o futuro.

• Aprender de usar o internet

Financiamento público é real. Se o mais próximo de você não tem confianza no seu movimento, pode ter certeza que existe alguém no internet que vai quer de te apoiar. Só precisam de saber que o existe. E aí, o internet!

• Usar o espaço que você já tem pra criar uma maior demanda

Embora parece que há casas mais abandonadas do que as pessoas em Baltimore City, é muito difícil para as pessoas a criar galerias ou espaços. Há cerca de um punhado de espaços dispostos a ser eventos de aventura e de acolhimento para certos dados demográficos, especificamente jovens de cor. Isso é foda, mas como Abdu sugeriou, se estiver usando o seu espaço de vida não funcionar, continuar a trabalhar com os espaços que não aceitá-lo, mantenha a embalagem desses shows e talvez o seu sucesso com make outros locais tomar conhecimento.

Depois de sua apresentação, ele se abriu para perguntas. Embora todo mundo estava um pouco tímido no início, ele cresceu para ser um espaço seguro onde as pessoas tem que cair na real sobre o que parece ser a raiz de todos os problemas nesta cidade. Racismo. É bom saber que Baltimore é um dos melhores lugares do mundo para aprender e falar sobre esta parte muito real da realidade de todos. Eu fiz uma pergunta para todos os nativos de Baltimore que deixam a cidade e, finalmente, encontrar o nosso caminho de volta para casa, como podemos melhor representar para a nossa cidade quando estamos longe e preservar a nossa cultura quando voltar? Abdu respondeu que devemos parar de ser vergonha de nossa cidade. Ele encorajou viagens, mas ele também não se esqueça de trazer o que você aprende em casa. Em geral, foi uma palestra muito interessante, que me poderes para continuar a me expressar e buscar a ser visível.

Finalemente, Abdu disse o seguinte em relação as pessoas que tentava de implementar essas mudanças:

“precisamos levar essa merda á serio ou tudo será a piada por sempre.”

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“My Name is Now” avaliação filme


traduzido por Davi Nunes

O Filme “Meu nome é agora”, é um documentário dirigido por Elizabete Martins Campos sobre a vida de uma das cantoras mais importante e de voz original que a cultura brasileira já produziu, Elza Soares.

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Elza Soares é samba e ela lembra isso ao mundo em seu novo documentário, “Meu nome é agora”. Elza faz jus à reputação de ser inovadora, usando este doc para falar sobre quem ela é no tempo presente: ao contrário de outros documentários sobre “bad girl”, que relata a trajetória do artista durante toda uma vida, o filme não se concentra na temporalidade dos fatos vividos e marcantes da grande cantora, não é uma lição de vida, não é esse o objetivo.

“Meu nome é agora” se apresenta para o público como um poema visual prolongado, em formato de documentário. É interessante assistir o doc como se fôssemos o espelho de Elza. Ela desvenda tudo. Isto parece ser um forte traço de sua personalidade, ou talvez seja, a transposição brilhante de uma negritude poderosa, explicitada em sua música ou de uma rebeldia constituidora de uma vida grande, latente ainda no agora, no tempo presente.

Momentos memoráveis ​​incluem ver os seus 79 anos, transpostos em um ensaio fotográfico sensual que comprova a sua confiança. Outros incluem olhares demasiado curtos dela como uma criança. Este filme é para os verdadeiros fãs de Elza, assim às vezes como estrangeira eu me senti perdida em certas imagens, como exemplo a polêmica história de amor entre ela o jogador de futebol, Garrincha.

Eu gostaria muito que houvesse um enredo linear para seguir, porque Elza é tão abstrata e difícil de se entender, mas vou admitir que estou intrigada. E a partir de agora vou pesquisar mais sobre ela. De certa forma a história de Elza Soares me fez lembrar, como Norte Americana, (com todas as ressalvas e semelhanças), de Nina Simone. Ambas são mulheres negras geniais, vivendo numa conjuntura social e racial assustadoras

Em conclusão, este filme é uma ótima introdução para a mente mística e filosófica da Deusa, Elza Soares.

imprudente, impotente, raiva

 translated by Davi Nunes

Aqui está o que você precisa saber sobre o que está acontecendo em Baltimore.

A morte brutal e desnecessária de Freddie Gray deixou minha cidade em luto.

Freddie, um nativo do oeste de Baltimore, foi agredido no momento em estava andando no seu bairro, quando fez contato visual com policiais. Depois foi perseguido, interceptado e espancado de maneira, tão violenta, que teve 80% da sua medula espinhal quebrada. Ele morreu no hospital depois de sete dias internado. Este vídeo mostra bem a violência da abordagem policial. Logo após o ocorrido houve muitas manifestações pacíficas. Mas no domingo passado, dia 26, um protesto foi interrompido quando bêbados brancos, fãs do Orioles, time profissional de Baseball da região, começaram a gritar “Nigger!” contra os manifestantes, bem como arremessaram objetos em suas direções. Assim se iniciou os “distúrbios”. Ah, não, assim começaram os pequenos danos contra os carros dos brancos. As pessoas brancas de Baltimore causam piores danos quando as suas equipes esportivas favoritas ganham campeonatos. Assim, as coisas fugiram do controle e pessoas foram presas.

Mas a cidade se acalmou. No entanto, um “panfleto” circulou alegando falsamente que gangues estavam se organizando para “atirar” nos policiais. LOL Eu imagino um velho policial branco escrevendo este “panfleto” e recordando “talk jive” que viu em um filme antigo Blaxsplotation. Não é preciso dizer que isso tudo não era verdade.Tal evento não ocorreu, mas isso não impediu que se fechasse a maioria das empresas e universidades, todos receosos de um suposto “ataque”. Além disso, fecharam a maior parte do centro da cidade e deixaram as pessoas irem para casa mais cedo. A maioria é claro, exceto os estudantes negros do ensino médio. A polícia, SWAT, armou uma engrenagem completa; fez um cerco na estação de ônibus na grande West Side de Baltimore, deixando centenas de adolescentes na área. Tudo isso gerou muita tensão: o que ocasionou o conflito entre os policiais e os jovens. A mídia durante a cobertura só mostrou um punhado de alunos que revidaram à estrutura de opressão armada pela polícia.

Mas quando você está recebendo bomba de gás lacrimogênio, sem ter como ir para casa, porque a estação de ônibus está fechada: o que você faz? Quando a prefeitura da sua cidade não investe dinheiro no sistema de ensino público por décadas… Quando tem dado todos os privilégios aos brancos, quando seu próprio prefeito chama seus capangas na televisão para contarem mentiras.

O que sobra?

O que fazer com toda essa raiva?

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still/ainda

Still love my city.

Still honored to say I’m from Baltimore.

Still screaming fuck the cops.

Still sick and tired of being sick and tired.

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Ainda amo minha cidade.

Ainda assim a honra de dizer que eu sou de Baltimore.

Ainda gritando foda a polícia.

Ainda doente e cansado de estar doente e cansado.